São João sem dinheiro: Triunfo vira refém de precatórios e servidores podem passar festas em casa com bolso zerado
O saldo da conta da Prefeitura foi zerado, conforme extrato bancário divulgado oficialmente e com ele, também evaporaram as esperanças de um São João digno para os servidores públicos.

O município de Triunfo, sertão paraibano, amanheceu nesta terça-feira (10) em clima de indignação e desespero. Por decisão judicial, todos os valores do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) foram bloqueados para pagamento de precatórios herdados de gestões anteriores. O saldo da conta da Prefeitura foi zerado, conforme extrato bancário divulgado oficialmente — e com ele, também evaporaram as esperanças de um São João digno para os servidores públicos.
Em pleno mês junino, quando o Nordeste inteiro se prepara para celebrar sua maior festa popular, os servidores municipais de Triunfo encaram um cenário sombrio: salários de junho ameaçados, contas atrasadas e a possibilidade real de passar o São João em casa, sem dinheiro sequer para o milho da pamonha. A gestão municipal, chefiada pelo prefeito Espedito Filho, declarou estado de calamidade administrativa e apontou que não tem mais condições mínimas de manter compromissos essenciais.
O drama vai além dos contracheques. Fornecedores pararam de entregar, postos de combustível recusam abastecimento, e as farmácias conveniadas deixaram de liberar medicamentos. Serviços básicos como transporte escolar, coleta de lixo e atendimentos em saúde estão na corda bamba. A cidade, que já enfrentava dificuldades estruturais, agora está à beira do colapso total. “A gestão está sendo penalizada por erros do passado, e quem sofre é a população”, afirmou o prefeito em nota.
A retenção judicial dos recursos do FPM não é novidade em Triunfo, mas sua recorrência virou um verdadeiro fantasma. A Prefeitura afirma estar cumprindo rigorosamente todas as determinações judiciais, mas questiona a rigidez das decisões que, segundo a gestão, ignoram os impactos sociais e administrativos diretos. “Como manter a cidade funcionando sem nenhum centavo na conta?”, indagou Espedito Filho, em tom de revolta.
Enquanto isso, cresce o sentimento de injustiça entre os servidores e moradores. Muitos enxergam a situação como uma espécie de punição coletiva por má gestão alheia. Nas redes sociais, internautas acusam o Poder Judiciário de insensibilidade e cobram do governo estadual e federal uma intervenção urgente para evitar que Triunfo vire um “município fantasma”. “Não é justo pagar a conta da irresponsabilidade de outros”, diz uma funcionária pública que preferiu não se identificar.
O impasse escancara o quanto a má gestão de recursos e a morosidade na resolução de precatórios afetam diretamente a vida da população. Triunfo, que deveria estar celebrando a cultura e aquecendo a economia local com as festas juninas, está de luto financeiro. E, se nenhuma solução emergencial for adotada, o São João de 2025 será lembrado não pelas quadrilhas, mas pelo silêncio doloroso de um povo sem salário, sem serviços e sem esperança.
Fonte: FábioKamoto




