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FALHOU: Acadêmicos de Niterói é rebaixada no carnaval do Rio após desfile em homenagem a Lula

O rebaixamento mantém uma sequência recente de escolas recém-promovidas que não conseguem se firmar no Grupo Especial. Em 2025, a queda atingiu a Unidos de Padre Miguel; em 2024, foi a vez da Unidos do Porto da Pedra.

O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói para o Grupo de Acesso I, após a apuração das notas do Carnaval do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (18), transformou a festa em palco de uma intensa polêmica política. A escola somou 264,6 pontos, ficando na última colocação do Grupo Especial, 2,8 pontos atrás da Mocidade Independente de Padre Miguel, que escapou da queda. O resultado encerra um ciclo de ascensão meteórica da agremiação e abre um debate nacional que ultrapassa os limites da avenida.

O desfile, realizado no domingo (15), teve como enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na Sapucaí, a escola exaltou a trajetória do petista e fez críticas indiretas a adversários, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, além de grupos conservadores. A apresentação foi marcada por forte carga simbólica e discurso social, sendo ovacionada por parte do público, mas também alvo de vaias e críticas nas redes sociais.

O rebaixamento mantém uma sequência recente de escolas recém-promovidas que não conseguem se firmar no Grupo Especial. Em 2025, a queda atingiu a Unidos de Padre Miguel; em 2024, foi a vez da Unidos do Porto da Pedra. No entanto, diferentemente dos anos anteriores, a situação da Acadêmicos de Niterói ganhou contornos políticos explícitos, levantando questionamentos sobre os critérios de julgamento e sobre a influência do contexto nacional na avaliação do desfile.

A controvérsia se intensificou porque Lula é pré-candidato à reeleição, e adversários passaram a sustentar que o desfile teve caráter de campanha antecipada. Críticos afirmam que a utilização de recursos públicos no Carnaval para exaltar um candidato em ano eleitoral pode configurar irregularidade. Defensores da escola, por outro lado, argumentam que o samba-enredo está protegido pela liberdade artística e pela tradição histórica das escolas de samba de abordar temas políticos e sociais.

O embate ganhou novo capítulo quando o partido Novo e o senador Flávio Bolsonaro anunciaram que irão acionar a Justiça Eleitoral pedindo a inelegibilidade de Lula, sob a alegação de uso indevido de recursos públicos para promoção pessoal. O caso promete se desdobrar nos tribunais e no debate público, colocando frente a frente dois pilares sensíveis da democracia: a liberdade de expressão artística e as regras do jogo eleitoral.

Fabio Kamoto

Especialista em Marketing Político e Digital, Publicitário, Radialista, atua desde 2006 no jornalismo político. Passou pelas pelas Rádios Progresso e Jornal AM, Sousense FM, Líder FM e Mais FM.

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