
A política segue mostrando que memória curta e conveniência costumam andar de mãos dadas. Prova disso é o mais recente movimento do ex-prefeito de São João do Rio do Peixe, Airton Pires, que decidiu anunciar apoio à pré-candidatura ao governo do Estado de Lucas Ribeiro.
O gesto chama atenção e não é pouco. Nas eleições de 2022, Airton disputou uma vaga na Assembleia Legislativa e acabou ficando na segunda suplência. Até aí, parte do jogo. O que pesou, segundo aliados à época, foi uma ação na Justiça Eleitoral movida pelo Partido Progressista, legenda comandada na Paraíba pela influente família Ribeiro, liderada pelo deputado federal Aguinaldo Ribeiro.
O episódio não apenas atrapalhou o desempenho eleitoral de Airton, como também teve efeitos políticos diretos: ele rompeu com o grupo governista e deixou de apoiar a reeleição do então governador João Azevêdo justamente tendo como vice o próprio Lucas Ribeiro, sobrinho de Aguinaldo.
Nos bastidores, a ação judicial teria sido incentivada por figuras conhecidas da política sertaneja, como o então prefeito de Cajazeiras, José Aldemir, e a deputada estadual Dra. Paula, ambos aliados históricos dos Ribeiros e adversários declarados de Airton.
Como se não bastasse, mesmo após o pleito de 2022, o imbróglio jurídico continuou no TSE, com tentativas de impedir que Airton sequer permanecesse na suplência. Um cenário que, à época, foi tratado por seus aliados como perseguição política.
Quase quatro anos depois, o que se vê é um movimento que beira o contraditório: Airton Pires agora caminha lado a lado justamente com aqueles que, segundo sua própria narrativa passada, teriam sido responsáveis por minar seu projeto político. A ironia é inevitável. O político que antes se colocava como vítima de articulações do grupo Ribeiro agora se apresenta como aliado numa reviravolta que levanta mais dúvidas do que certezas.



