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Clima azeda em Cajazeiras: Zé Aldemir admite falta de apoio e rompe o silêncio sobre a prefeita de Cajazeiras Corrinha Delfino

Zé Aldemir revelou que está há mais de três meses sem qualquer tipo de contato direto com a prefeita. Segundo ele, desde o lançamento de sua pré-candidatura a deputado estadual, Corrinha simplesmente deixou de telefonar ou enviar mensagens.

O cenário político de Cajazeiras entrou em ebulição e passou a ser marcado por incertezas, ruídos e um silêncio que fala alto. Em entrevista concedida ao radialista Levi Dantas, em João Pessoa, o ex-prefeito e pré-candidato a deputado estadual Zé Aldemir (PP) rompeu publicamente o mutismo e expôs, pela primeira vez, o distanciamento entre ele e sua principal aliada política no município, a prefeita Corrinha Delfino (PP). O que antes era uma aliança sólida e vitoriosa, hoje dá lugar a um vazio político carregado de tensão e especulações.

Zé Aldemir revelou que está há mais de três meses sem qualquer tipo de contato direto com a prefeita. Segundo ele, desde o lançamento de sua pré-candidatura a deputado estadual, Corrinha simplesmente deixou de telefonar ou enviar mensagens. O ex-prefeito afirma que a comunicação foi interrompida desde o dia 20 de outubro, mesmo após uma trajetória conjunta que resultou na expressiva vitória de Corrinha nas urnas, com mais de 20 mil votos. Para Aldemir, o silêncio não é apenas pessoal, mas um gesto político calculado.

O distanciamento ganhou contornos ainda mais simbólicos quando, segundo o ex-prefeito, a prefeita não entrou em contato sequer em datas marcantes, como o Natal, o fim de ano ou seu aniversário, celebrado em 13 de janeiro. O único gesto teria sido um convite indireto para o Carnaval da cidade, enviado por terceiros, sob a justificativa de falta de tempo para um encontro pessoal. “Eu não posso estar mentindo para o povo. É verdade. Faz 90 dias que ela nunca mais ligou para mim”, disparou Aldemir, ressaltando que os únicos contatos foram cumprimentos protocolares durante a visita do governador a Cajazeiras e em um velório.

A raiz do desgaste, segundo Zé Aldemir, está diretamente ligada à estratégia eleitoral para 2026. Ele afirma que Corrinha não queria que ele disputasse uma vaga de deputado estadual, mas sim federal, evitando assim um embate interno com o deputado Júnior Araújo (PP), que tentará a reeleição. O ex-prefeito conta que houve uma tentativa de convencimento em um encontro na sua residência, mas a decisão já estava tomada, por entender que não havia viabilidade eleitoral para uma candidatura federal.

Embora a prefeita tenha comparecido ao evento de lançamento da pré-candidatura de Zé Aldemir, o ex-prefeito afirma que o afastamento se agravou após ele cobrar reciprocidade política. Em 2024, segundo Aldemir, ele mobilizou sua base e atuou ativamente no fortalecimento da candidatura de Corrinha à Prefeitura. No entanto, esse mesmo empenho não teria sido retribuído quando chegou a sua vez de colocar o nome em jogo, o que teria causado profundo incômodo e sensação de abandono político.

Mesmo magoado, Zé Aldemir evita classificar o episódio como um rompimento definitivo, mas deixa claro que não pretende dar o primeiro passo para uma reaproximação. Para ele, agora cabe à prefeita decidir se há interesse em recompor a aliança. Enquanto isso, o ex-prefeito aposta em um discurso direto ao eleitorado, minimizando os efeitos da ausência da antiga aliada. “Meu maior aliado é o povo”, afirmou. O silêncio de Corrinha Delfino, até agora mantido de forma estratégica, passa a ser peça-chave para definir o futuro da gestão municipal e a unidade do Partido Progressista em Cajazeiras ou para sacramentar, de vez, um dos rompimentos mais emblemáticos da política local recente.

Fabio Kamoto

Especialista em Marketing Político e Digital, Publicitário, Radialista, atua desde 2006 no jornalismo político. Passou pelas pelas Rádios Progresso e Jornal AM, Sousense FM, Líder FM e Mais FM.

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