
A campanha do candidato ao Governo da Paraíba, Cícero Lucena (MDB), protocolou nesta quarta-feira (30) uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra o governador e candidato à reeleição, Lucas Ribeiro (PP). A ação apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) aponta supostas práticas de captação ilícita de votos e abuso de poder político e econômico durante a campanha eleitoral. As acusações, no entanto, ainda serão analisadas pela Justiça Eleitoral e não representam, por si só, comprovação das irregularidades apontadas.
De acordo com os advogados de Cícero, uma plataforma eletrônica identificada no início de setembro teria sido utilizada para registrar informações de visitas realizadas por colaboradores a eleitores. Segundo a AIJE, o sistema reuniria dados sobre as demandas apresentadas pelos moradores, além de avaliações relacionadas à intenção de voto e à rejeição dos candidatos da chapa governista que disputam os cargos de governador e senador. Entre os pedidos registrados estariam consultas médicas, exames, cirurgias, cestas básicas, botijões de gás, materiais de construção e empregos.
A campanha de Cícero afirma que a estrutura funcionaria em diferentes etapas, começando pelo levantamento das necessidades dos eleitores, passando pelo acompanhamento dos pedidos e chegando a novas visitas para verificar o atendimento das demandas e a intenção de voto. Durante coletiva de imprensa, o advogado Walter Agra declarou que os registros apresentados na ação representariam, segundo a defesa, uma forma de documentar a suposta prática de compra de votos. A plataforma, identificada pelo endereço “qualificada83.com.br”, teria contabilizado 8.592 abordagens, 1.721 demandas individualizadas, 723 pedidos de materiais e 6.942 revisitas.
Outro ponto levantado na AIJE é a participação de colaboradores cadastrados na plataforma. Conforme os dados apresentados pela campanha, seriam 1.596 colaboradores registrados, sendo 1.339 ativos, distribuídos em 17 grupos territoriais com atuação em bairros e comunidades de João Pessoa, além de municípios da Região Metropolitana. A denúncia também afirma que entre os cadastrados haveria servidores públicos estaduais que teriam participado das visitas às residências. Segundo Walter Agra, após a denúncia, a plataforma teria sido retirada do ar, mas a equipe jurídica afirma ter preservado os dados e encaminhado o material ao Ministério Público Eleitoral.
A AIJE pede que a Justiça Eleitoral apure os fatos e avalie se os elementos apresentados configuram captação ilícita de sufrágio e abuso de poder político e econômico. Até a publicação desta reportagem, a campanha de Lucas Ribeiro não havia apresentado manifestação sobre as acusações, segundo veículos que acompanharam o caso. A análise da ação, das provas e das eventuais manifestações dos investigados caberá à Justiça Eleitoral.



