
O ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, voltou ao centro do debate político após criticar duramente o modelo de Parceria Público-Privada (PPP) adotado pelo governo estadual na área do saneamento. Hoje pré-candidato a deputado federal, Ricardo tem chamado a iniciativa de “privatização”, direcionando ataques ao atual governo comandado por Lucas Ribeiro. No entanto, documentos e reportagens da época revelam que o próprio ex-governador foi um dos responsáveis por ampliar e regulamentar programas de PPP em sua gestão, ainda em 2012.
Em agosto de 2012, durante o primeiro mandato de Ricardo Coutinho no Governo da Paraíba, foi publicado um decreto estadual regulamentando procedimentos para atrair investidores privados e facilitar a formação de Parcerias Público-Privadas no Estado. A medida permitia, inclusive, que empresas privadas apresentassem estudos e propostas diretamente ao governo para futuros projetos de PPP. À época, o discurso do então governador era de modernização administrativa e atração de investimentos para obras e serviços públicos.
Agora, mais de uma década depois, Ricardo adota um discurso totalmente diferente ao condenar a concessão na área de saneamento e acusar o governo atual de promover privatizações. A mudança de postura tem gerado forte repercussão nos bastidores políticos e nas redes sociais, onde adversários apontam incoerência entre o discurso atual e as ações executadas por ele quando ocupava o Palácio da Redenção. Recentemente, o ex-governador classificou como “crime” a participação da iniciativa privada no setor, apesar de ter defendido mecanismos semelhantes durante sua administração.
O tema promete ganhar ainda mais força no cenário eleitoral de 2026, especialmente porque Ricardo Coutinho tenta retornar ao protagonismo político em meio a um ambiente de polarização e lembranças de sua passagem pelo governo estadual. Para opositores, o episódio evidencia uma “memória seletiva” do ex-governador, que hoje combate publicamente um modelo administrativo que ele próprio ajudou a consolidar no Estado anos atrás.



